Município de Castro Daire

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Conhecer Montemuro
Conhecer o Rio Paiva
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O Concelho de Castro Daire apresenta uma grande extensão física e consequentemente um povoamento distribuído por várias freguesias. A cultura tradicional deste povo torna-se singular e com uma grande riqueza. No entanto, nesta vasta área de Castro Daire existiam monumentos arquitectónicos medievais que desapareceram sem deixar rasto, talvez, por acção do tempo ou capricho inovador dos homens.

Felizmente, exceptua-se, a majestosa igreja de Ermida datada do século XII, dantes Mosteiro de Santa Maria de Riba Paiva, e ainda um vestígio quase extinto como o portal de arco quebrado do século XV-XVI pertencente à igreja Paroquial de Gafanhão.

Em traços gerais, no que concerne ao património existente pode afirmar-se que é resultante do início da 2ª metade do século XVII prosseguido praticamente de uma forma ininterrupta até inícios do século XIX. Este roteiro pretende ser um guia de informações sobre pontos de interesse turístico do concelho, porventura incompleto. Torna-se no entanto um convite para as visitas!


 

PERCURSO 1 - CONHECER MONTEMURO

“Examinando a nossa Carta Hipsométrica, vemos destacar-se na metade setentrional do País, logo a seguir à serra da Estrela, uma zona de relevo com altitude máxima de 1382 m, de forma grosseiramente triangular, compreendida entre o douro, o seu afluente Paiva e uma linha quási recta tirada de Castro Daire por Lamego em direcção à Régua.”

É assim que Amorim Girão define Montemuro, aquela à que chamou, há muitos anos, “a mais desconhecida serra de Portugal”.

E ainda o é. Permanecem distantes os cerros onde se aventuram os pastores. As mulheres escondem ainda o rosto em velhas capuchas de burel.

As lendas ainda servem para explicar os tempos antigos. Mas sente-se que há um deus maior que guarda esta montanha, cuja plenitude apenas os simples de coração podem conhecer.

Este percurso pretende dar a conhecer ao visitante um pouco desta montanha desconhecida, rica em paisagens de cortar a respiração, onde as cooperativas artesanais se recusam a baixar os braços, e onde o visitante se pode deliciar com uma gastronomia de excepção.

Considerando Castro Daire como ponto de partida, tome a EN 2, que atravessa a montanha, em direcção a Lamego.

A 8 km de Castro Daire a serra é já uma imensidão vazia. A capela de Nossa Senhora da Ouvida, outrora aparecendo como milagre, é hoje companheira do parque industrial, à direita.

À esquerda, bem aconchegada na veiga vemos Moura Morta, curiosa aldeia que guarda no seu nome resíduos de lendas.

No Inverno a neve estende muitas vezes o seu manto por estas paragens.

Ao quilómetro 11,5, chega-se ao Mezio. A aldeia abriga-se no vale, mas veio gente acomodar-se à beira da estrada para servir o viajante com manjares da serra como se fossem preparados em casa de família e para nos mostrar os ofícios dos antigos artesões.

Aqui podemos encontrar artes tradicionais que vão desde a cestaria às tecedeiras, estando estas actividades organizadas num pequeno museu. Este será o primeiro ponto do nosso percurso turístico. Após perder largos minutos na visita ao museu e a loja de artesanato, são horas de nos fazermos à estrada. Leve a zero o seu conta-quilómetros, ele vai ajuda-lo a orientar-se.

Arrancamos de novo pela EN 2, sentido Lamego. Pouco depois de passar o nó de acesso à A 24, teremos que voltar a esquerda para Gosende.

Sente-se que a terra é áspera, apesar de haver castanheiros e carvalhos distribuídos pelas encostas e junto às múltiplas linhas de água. A 4 km desde a saída do Mezio, junto a uma pequena ponte, surge um sugestivo moinho coberto de colmo, que apenas mói com as águas de Inverno o pão de milho dos povos da vizinhança, Gosendinho e Gosende, cuja igreja pode ser visitada.

Seguindo a estrada, voltamos à esquerda ao quilómetro 5,7 em sentido a Campo Benfeito, e logo encontramos a rusticidade saborosa, quase românica, da Capela de Nossa Senhora do Fojo, com festa em Setembro. Um pouco mais a frente, junto a um cruzeiro, podemos disfrutar de uma fabulosa vista sobre a enorme Baixa do Rio Balsemão, uma veiga monumental que se estende desde Rossão até Pretarouca.

Andando, andando, ficam os povos de Campo Benfeito e Rossão. Foram importantes na Idade Média, isso dizem os pelourinhos. Ao quilómetro 7.6 somos chegados a Campo Benfeito. Aqui numa antiga escola primária, à entrada da aldeia, seis mulheres rodeadas de teares, linho e burel criam peças únicas e singulares, conhecidas e vendidas em todo o país. Depois de entrar e conhecer a Cooperativa e de dar uma pequena volta pelos meandros da aldeia, seguimos em direcção a Rossão. Aqui ainda se transforma rolos de palha e cascas de silva ou tiras de vime, em obras-primas de cestaria, como à 500 anos atrás. É a cestaria breza ainda útil e bela. Antes de chegar a Rossão o nosso percurso manda-nos cortar à esquerda, fazendo-nos adiantar pela serra mais alguns quilómetros.

Cerca de 10.5 km após a nossa partida do Mezio, encontramos a Cruz do Rossão, capelinha com um Cristo crucificado. Cruzavam-se aqui os antigos caminhos da serra. Uma oração exorcizava terrores de homens e de feras. Todos os anos havia ali, e ainda há, uma feira.

Os gados da transumância deslocados da serra da Estrela vinham há poucos anos para aqueles pastos, hoje desertos. Depois de nos maravilharmos com a fantástica plenitude que o Montemuro nos oferece, é hora de voltar ao caminho. No cruzamento junto à Capela, seguir para a esquerda em direcção a Picão. A estrada desce a encosta funda da serra voltada a sul.

As urzes cobrem o chão, e com um pouco de sorte poderemos encontrar uma pastora sentada ou um homem vigiando algumas vacas arouquesas, tudo sereno como se fosse o princípio do Mundo. A descida termina no cruzamento com a EN 321. Aqui rumaremos à esquerda, para Picão. Perto do quilómetro 14 abandonaremos a EN 321, virando à direita para descermos até à aldeia de Picão. Ao chegar a Picão somos recebidos por uma igreja cheia de preciosa imaginária, nichos de alminhas, fontes rústicas despejando água e duas impressivas máscaras de granito cravadas num muro, antropomorfas, as quais o povo identifica como o Picão e a Picoa, fundadores do lugar. Aventure-se pelo meio da aldeia, em busca das Lançadeiras de Picão, cooperativa de mulheres que se especializou na tradicional confecção de linhos e lãs. Esta aventura apeada vale pela aldeia assim como pelas peças artesanais que poderá adquirir. Voltando ao carro, continuaremos a nossa descida por esta encosta. Assim, sem nos apercebermos, estaremos a embrenhar-nos na Mata do Bogalhão. Uma impressionante mata composta por carvalhos e castanheiros centenários, com uma área aproximada de 200 ha. É hora de voltar à EN 321, e aí voltar à esquerda, no sentido a Cinfães. Estaremos a voltar atrás no caminho que nos trouxe até Picão. Quase 20 km depois de iniciarmos o nosso percurso encontraremos a aldeia da Carvalhosa.

Este merece uma visita mais minuciosa pelo seu interior. Um pouco mais a frente (km 21.4), olhando para o lado esquerdo, teremos sobre a nossa visão a magnifica vista da aldeia de Picão, com os a aldeia posta bem acima dos campos em patamar, estendendo-se ate ao pequeno rio que corre no fundo do vale. Não existem caminhos para automóveis, sendo que estes campos são trabalhados à força de braços e bestas. Esperam-nos cerca de 5 km de estrada, bons de fazer, até às Portas de Montemuro, uma viagem rápida até à dobra do monte que em tempos idos fez de penedia fortaleza. A Capela do Senhor das Portas está guardada dos ventos por muro negro de pedra. Do outro lado, fica outro mundo, o grande vale do Douro, como estrada de todas as ilusões, ao fundo de uma encosta que depressa se cobre de pomares e de pão. Vale a pena chegar até aqui. Retornando pela mesma estrada, em direcção a Castro Daire. Pouco depois do quilómetro 28 do percurso, viramos à direita no cruzamento que nos leva a Faifa. Por esta estrada iremos concluir a descida desde o alto da serra até ao vale do rio. É hora de olhar a soberba paisagem que se desdobra à nossa frente, cobrindo o vale do rio Paiva, ao fundo, e os montes da Gralheira, elevados. Continuando a descer em direcção ao Paiva, encontramos o último ponto do nosso percurso. Perto de 33 km depois da nossa saída do Mezio, deparamos com algo invulgar nestas serranias, um bosque de bétulas que se estende encosta abaixo, frente à aldeia de Eiriz Findo o percurso continue a descer em direcção ao Paiva, cerca de 2.5 km, ate encontrar a EN 225. Agora vire á esquerda, rumando a Castro Daire, que dista cerce de 15 km deste ponto. Aproveite para apreciar o rio Paiva, que o acompanhará até ao destino. Mas o Paiva, isso é outro percurso!

 


PERCURSO 2 - CONHECER O RIO PAIVA

 

Paiva, rio inconstante de leito pedregoso e recurvado, típico curso de água de montanha que ora nos mostra o seu lado rebelde de águas bravas, ora desliza mansamente em trechos ídilicos. As grandes variações sazonais de caudal do rio, a estreiteza e o acentuado desnível do seu leito provocam, em muitos sítios, o aparecimento de rápidos, que fazem as delícias dos apreciadores de desportos aquáticos radicais, os quais consideram o Paiva, muito justamente, um dos melhores locais do país para a prática das suas actividades. O rio Paiva está rodeado, em significativa parte do seu percurso, por uma frondosa e luxuriante galeria vegetal, que alberga ecossistemas diversificados e de grande importância. A faceta selvagem e agitada que tornou o Paiva conhecido, por vezes dá lugar a uma completa transfiguração do seu carácter, quando o rio atravessa zonas de mosaico agrícola. Surgem aqui as pequenas aldeias ribeirinhas, criadas em estrita sintonia com o rio. O segundo percurso tem como objectivo dar a conhecer ao viajante um pouco deste rio, o menos poluído da Europa, mostrando as suas magníficas paisagens e os seus povos, com as suas igrejas e capelas.

O nosso percurso inicia-se em Castro Daire. Trata-se de uma vila antiga originada num castro sobranceiro ao rio Paiva, o castro dos bons ares, daí o seu nome actual. Os Romanos passaram aqui com as suas vias. Outros povos também. Há memórias de pedra cuja leitura se faz como em museu. O rei D. Manuel I concedeu-lhe foral no ano de 1514. Igreja e capelas, palácios, o casario ordenado em praças e ruas, registam os passos de uma história fecunda e disponível..

Antes de abandonarmos a vila não podemos deixar de ver o Bairro do Castelo, natural varanda aberta sobre o Paiva. Também a Igreja matriz, datada de 1735, com a sua fachada neoclássica, merece uma visita. Outro ponto de interesse é a residência dos fidalgos da Casa da Cerca (Palácio das Carrancas), celebrados por Camilo Castelo Branco no seu Amor de Perdição. Perto desta, iremos encontrar o Solar dos Mendonças, a Câmara Municipal e a Capela de S. Sebastião. O Miradouro do Calvário, amplo terraço povoado por cruzes e sombreado de árvores, proporciona uma soberba paisagem ao redor e compreende-se então que este era o sítio exacto para nascer um grande povo. Resta-nos descer ate ao nosso meio de transporte e iniciar o percurso. Não se esqueça de colocar a zero o seu conta-quilómetros.

Seguindo a EN 2 no sentido a Viseu, cortar à esquerda à saída de Castro Daire, para o nó de acesso à A 24. Na rotunda de acesso voltar à direita, seguindo a placa Praia da Folgosa. Cerca de 600 m após este cruzamento, cortar à direita, seguindo novamente as placas que indicam a Praia da Folgosa. Agora iniciamos uma descida ate encontrarmos o Paiva. Aqui, devido a represas parte naturais, parte feitas pelo Homem, o Paiva amansa e alarga o seu leito, criando a única praia fluvial do concelho de Castro Daire. O rio é atravessado, aqui e ali, por grandes pedras rectangulares, mais altas que o leito, as poldras, substitutos das pontes. Pode-se aproveitar para fazer um pequeno percurso pedestre ao longo da margem direita do rio, subindo cerca de 1.5 km, sempre no meio da vegetação abundante que acompanha o rio. A água é límpida e, se o calor apertar, convida a um mergulho refrescante

Para continuar o nosso percurso temos de voltar à EN 2. Para tal fazemos o caminho inverso ao que nos trouxe aqui, ate encontrarmos a EN 2. Aí seguimos rumo a Viseu

Na descida até à Ponte Pedrinha, podemos apreciar os viveiros de trutas do nosso lado esquerdo, assim como o rio Paivó, que corre bem fundo no vale ate se encontrar com o Paiva. Ao quilómetro 8.5, voltar à direita para a EN 228. Logo a seguir, parar junto da fonte, datada de 1879, e apreciar a Ponte Pedrinha e o Paiva. A actual Ponte Pedrinha, feita na 2ª metade do século XIX, veio substituir uma outra que existia anteriormente, construída pelos Romanos, permitindo a ligação de Lamego a Viseu, vencendo a barreira que o rio Paiva representava. Recentemente foi descoberta uma pedra que afirma que a ponte foi construída durante o governo do imperador romano de Caio Júlio Casear.

Após admirar esta magnífica construção que continua a resistir ao tempo e ao tráfego, retomamos o caminho pela EN 228, durante 700 m. Aí cortar à direita, para EN 558, em direcção a Reriz. Até chegar a Reriz aproveitemos para apreciar as densas matas de pinhal que enchem a encosta esquerda do vale do Paiva, tão densas que só ás vezes nos deixam espreitar para o rio que corre bem no fundo. Em Reriz, o Paiva deixa de ser um rio encaixado para traçar meandros divagantes pelo meio dos terraços fluviais que ele próprio construiu. A povoação aglomera-se por baixo e em redor da igreja matriz. Esta sofreu várias reconstruções e possui alta torre sineira, da qual é possível obter uma ampla panorâmica sobre o vale aberto, onde o milho é rei, e as moreias surgem aos montinhos nas extremas dos campos, por entre os quais corre o Paiva. Uma nota curiosa sobre esta igreja é as representações das três virtudes teologais em forma de figuras femininas estampadas nos altos: a Fé, a Esperança e a Caridade.

Outros locais a visitar em Reriz são a Cama da Moura, penedo em cuja base a fraga deixou margem para uma possível sepultura antropomórfica, o Poço dos Abades, e a oficina de cestaria do Sr. Adelino Pinto, na Pedra Furada. Seguindo agora em direcção a Gafanhão, cortar a esquerda para Grijó. Grijó é marcada pelo Solar de Grijó do Gafanhão, casa nobre dos finais do século XVIII mandada construir pelo Reverendo Brás Luís Coelho que foi abade de Reriz, construção que actualmente se encontra num estado ruinoso. No primeiro cruzamento, à saída de Grijó, virar à esquerda para Gafanhão, e logo a seguir cortar à esquerda novamente para o Monte das Cabeçadas, onde se encontra a ermida de Nossa Senhora de Rodes. Muito embora a Igreja Matriz de Reriz seja consagrada a S. Martinho, e outros Santos existam e se venerem nestas paragens, a grande devoção das gentes é sem dúvida à Senhora de Rodes. Para que se obtenha tempo favorável aos afazeres agrícolas, a população leva a figura da Senhora de Rodes, conforme as súplicas dos crentes, desde esta capela, no Monte das Cabeçadas, até à povoação, e vice-versa.

Se chove muito levam-na para a Ermida para que o tempo amaine. Se, pelo contrário, se sucedem as secas e a falta de chuvas, vêm-na buscar ao Monte das Cabeçadas e levam-na para a Igreja Paroquial a fim que lhes permita a água necessária à fertilidade das terras. É este o vaivém da tradição popular da Senhora de Rodes. Agora que se conhece a tradição e a capela, voltamos atrás pelo mesmo caminho. Durante a descida, à direita, obtemos uma vista grandiosa sobre o curso do rio, rio que tornou os meandros encaixados na serrania, correndo por um leito de rochas xistosas. Depois de percorridos 1.8 km, no cruzamento para a Ponte de Cabaços, virar para a esquerda, e continuar durante 1.4 km..

No termo do segundo meandro mais fechado que tem esta parte do curso, o Paiva encontra as pontes de Cabaços. A ponte nova lado a lado com os restos da ponte antiga, que como aliás o próprio lugar, onde as árvores, sobretudo entre as duas pontes, se curvam de folhagem sobre a água de uma tonalidade azul turqueza, tem algo de romântico. Antes da ponte, as rochas abrem-se em pequenas frechas, que o rio torneia em babas brancas já depois de ter passado um largo mas pouco elevado açude. A Ponte de Cabaços é decididamente, um dos locais de maior magia e misteriosidade que o rio possui. Continuando no mesmo sentido, iremos ligar a Ester. Ao longo da estrada, no meio de pinheiros e alguns eucaliptos, surgem vários sobreirais que, resultado da orientação da encosta, atingem dimensões muito consideráveis.

Continuando sempre na mesma estrada, vamos subindo até encontrar a EN 225. Aí voltamos à direita e seguimos esta estrada durante 5.5 km até chegar a Pinheiro.

O Paiva em Pinheiro, alarga-se um pouco, dando espaço a que surjam alguns campos de cultivo nas suas margens, mas nunca perde o vigor. Passar o Paiva sempre foi uma dificuldade. Para superar este entrava existiam as pontes, mas em Pinheiro há uma ponte peculiar. Um pouco abaixo da Capelinha do Senhor dos Perdões, aparece a ponte de Pinheiro ou do “Brasileiro”, uma ponte com portagem. Um “Brasileiro” dos que eram comuns nestas paragens, voltou da emigração endinheirado. Comprou uma quinta do outro lado do Paiva, e como não houvesse passagem ou os caminhos de volta fossem ruins, tratou de erguer ali uma ponte. Da emigração ficara-lhe a esperteza de tentar ganhar sempre um tostão ou outro, e como a ponte não o servia só a si, mas a população em geral, serviu-se de um estratagema antigo e estabeleceu a portagem. Quanto mais não fosse, para pagar o custo da ponte, o que era justo. E é assim que na Ponte de Pinheiro, mais chegados à margem esquerda, um de cada lado do tabuleiro de cantaria, se erguem dois pilares, onde outrora se fixavam as cancelas desta ponte de portagem e se cobrava a mesma.

Seguimos então para a Ermida do Paiva. Seguindo a EN 225, durante 500 m, cortando à esquerda na primeira estrada, que nos levará até à igreja. No século XII, Frades Agostinhos ergueram, um tranquilo mosteiro no sítio chamado Ermida do Paiva, verde, silencioso e manso. Deste mosteiro resta a igreja, um singular monumento românico de transição. Através do portal de três arquivoltas, sobrepujado por característica faixa axadrezada, entra-se no corpo do templo, com abóboda de berço quebrado e colunas de capitéis ornamentados. Modilhões ornados com motivos geométricos, vegetalistas e antropomórficos percorrem a cornija do exterior da nave, onde se encosta, a nascente, a cabeceira poligonal, com belíssimos capitéis historiados encimando colunelos nas arestas. Aarão Lacerda, estudioso apaixonado desta igreja, chamou-lhe “templo das siglas” devido à abundância de marcas de canteiro que enchem a face sul.

Resta voltar a Castro Daire. Seguindo a calçada, virando sempre à direita, encontramos a EN 225. Aqui voltamos à esquerda e rumamos a Castro Daire, continuando a ter por companhia o Paiva que corre sempre a nosso lado.