Município de Castro Daire

Roteiros - Conhecer Montemuro

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Conhecer Montemuro
Conhecer o Rio Paiva
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PERCURSO 1 - CONHECER MONTEMURO

“Examinando a nossa Carta Hipsométrica, vemos destacar-se na metade setentrional do País, logo a seguir à serra da Estrela, uma zona de relevo com altitude máxima de 1382 m, de forma grosseiramente triangular, compreendida entre o douro, o seu afluente Paiva e uma linha quási recta tirada de Castro Daire por Lamego em direcção à Régua.”

É assim que Amorim Girão define Montemuro, aquela à que chamou, há muitos anos, “a mais desconhecida serra de Portugal”.

E ainda o é. Permanecem distantes os cerros onde se aventuram os pastores. As mulheres escondem ainda o rosto em velhas capuchas de burel.

As lendas ainda servem para explicar os tempos antigos. Mas sente-se que há um deus maior que guarda esta montanha, cuja plenitude apenas os simples de coração podem conhecer.

Este percurso pretende dar a conhecer ao visitante um pouco desta montanha desconhecida, rica em paisagens de cortar a respiração, onde as cooperativas artesanais se recusam a baixar os braços, e onde o visitante se pode deliciar com uma gastronomia de excepção.

Considerando Castro Daire como ponto de partida, tome a EN 2, que atravessa a montanha, em direcção a Lamego.

A 8 km de Castro Daire a serra é já uma imensidão vazia. A capela de Nossa Senhora da Ouvida, outrora aparecendo como milagre, é hoje companheira do parque industrial, à direita.

À esquerda, bem aconchegada na veiga vemos Moura Morta, curiosa aldeia que guarda no seu nome resíduos de lendas.

No Inverno a neve estende muitas vezes o seu manto por estas paragens.

Ao quilómetro 11,5, chega-se ao Mezio. A aldeia abriga-se no vale, mas veio gente acomodar-se à beira da estrada para servir o viajante com manjares da serra como se fossem preparados em casa de família e para nos mostrar os ofícios dos antigos artesões.

Aqui podemos encontrar artes tradicionais que vão desde a cestaria às tecedeiras, estando estas actividades organizadas num pequeno museu. Este será o primeiro ponto do nosso percurso turístico. Após perder largos minutos na visita ao museu e a loja de artesanato, são horas de nos fazermos à estrada. Leve a zero o seu conta-quilómetros, ele vai ajuda-lo a orientar-se.

Arrancamos de novo pela EN 2, sentido Lamego. Pouco depois de passar o nó de acesso à A 24, teremos que voltar a esquerda para Gosende.

Sente-se que a terra é áspera, apesar de haver castanheiros e carvalhos distribuídos pelas encostas e junto às múltiplas linhas de água. A 4 km desde a saída do Mezio, junto a uma pequena ponte, surge um sugestivo moinho coberto de colmo, que apenas mói com as águas de Inverno o pão de milho dos povos da vizinhança, Gosendinho e Gosende, cuja igreja pode ser visitada.

Seguindo a estrada, voltamos à esquerda ao quilómetro 5,7 em sentido a Campo Benfeito, e logo encontramos a rusticidade saborosa, quase românica, da Capela de Nossa Senhora do Fojo, com festa em Setembro. Um pouco mais a frente, junto a um cruzeiro, podemos disfrutar de uma fabulosa vista sobre a enorme Baixa do Rio Balsemão, uma veiga monumental que se estende desde Rossão até Pretarouca.

Andando, andando, ficam os povos de Campo Benfeito e Rossão. Foram importantes na Idade Média, isso dizem os pelourinhos. Ao quilómetro 7.6 somos chegados a Campo Benfeito. Aqui numa antiga escola primária, à entrada da aldeia, seis mulheres rodeadas de teares, linho e burel criam peças únicas e singulares, conhecidas e vendidas em todo o país. Depois de entrar e conhecer a Cooperativa e de dar uma pequena volta pelos meandros da aldeia, seguimos em direcção a Rossão. Aqui ainda se transforma rolos de palha e cascas de silva ou tiras de vime, em obras-primas de cestaria, como à 500 anos atrás. É a cestaria breza ainda útil e bela. Antes de chegar a Rossão o nosso percurso manda-nos cortar à esquerda, fazendo-nos adiantar pela serra mais alguns quilómetros.

Cerca de 10.5 km após a nossa partida do Mezio, encontramos a Cruz do Rossão, capelinha com um Cristo crucificado. Cruzavam-se aqui os antigos caminhos da serra. Uma oração exorcizava terrores de homens e de feras. Todos os anos havia ali, e ainda há, uma feira.

Os gados da transumância deslocados da serra da Estrela vinham há poucos anos para aqueles pastos, hoje desertos. Depois de nos maravilharmos com a fantástica plenitude que o Montemuro nos oferece, é hora de voltar ao caminho. No cruzamento junto à Capela, seguir para a esquerda em direcção a Picão. A estrada desce a encosta funda da serra voltada a sul.

As urzes cobrem o chão, e com um pouco de sorte poderemos encontrar uma pastora sentada ou um homem vigiando algumas vacas arouquesas, tudo sereno como se fosse o princípio do Mundo. A descida termina no cruzamento com a EN 321. Aqui rumaremos à esquerda, para Picão. Perto do quilómetro 14 abandonaremos a EN 321, virando à direita para descermos até à aldeia de Picão. Ao chegar a Picão somos recebidos por uma igreja cheia de preciosa imaginária, nichos de alminhas, fontes rústicas despejando água e duas impressivas máscaras de granito cravadas num muro, antropomorfas, as quais o povo identifica como o Picão e a Picoa, fundadores do lugar. Aventure-se pelo meio da aldeia, em busca das Lançadeiras de Picão, cooperativa de mulheres que se especializou na tradicional confecção de linhos e lãs. Esta aventura apeada vale pela aldeia assim como pelas peças artesanais que poderá adquirir. Voltando ao carro, continuaremos a nossa descida por esta encosta. Assim, sem nos apercebermos, estaremos a embrenhar-nos na Mata do Bogalhão. Uma impressionante mata composta por carvalhos e castanheiros centenários, com uma área aproximada de 200 ha. É hora de voltar à EN 321, e aí voltar à esquerda, no sentido a Cinfães. Estaremos a voltar atrás no caminho que nos trouxe até Picão. Quase 20 km depois de iniciarmos o nosso percurso encontraremos a aldeia da Carvalhosa.

Este merece uma visita mais minuciosa pelo seu interior. Um pouco mais a frente (km 21.4), olhando para o lado esquerdo, teremos sobre a nossa visão a magnifica vista da aldeia de Picão, com os a aldeia posta bem acima dos campos em patamar, estendendo-se ate ao pequeno rio que corre no fundo do vale. Não existem caminhos para automóveis, sendo que estes campos são trabalhados à força de braços e bestas. Esperam-nos cerca de 5 km de estrada, bons de fazer, até às Portas de Montemuro, uma viagem rápida até à dobra do monte que em tempos idos fez de penedia fortaleza. A Capela do Senhor das Portas está guardada dos ventos por muro negro de pedra. Do outro lado, fica outro mundo, o grande vale do Douro, como estrada de todas as ilusões, ao fundo de uma encosta que depressa se cobre de pomares e de pão. Vale a pena chegar até aqui. Retornando pela mesma estrada, em direcção a Castro Daire. Pouco depois do quilómetro 28 do percurso, viramos à direita no cruzamento que nos leva a Faifa. Por esta estrada iremos concluir a descida desde o alto da serra até ao vale do rio. É hora de olhar a soberba paisagem que se desdobra à nossa frente, cobrindo o vale do rio Paiva, ao fundo, e os montes da Gralheira, elevados. Continuando a descer em direcção ao Paiva, encontramos o último ponto do nosso percurso. Perto de 33 km depois da nossa saída do Mezio, deparamos com algo invulgar nestas serranias, um bosque de bétulas que se estende encosta abaixo, frente à aldeia de Eiriz Findo o percurso continue a descer em direcção ao Paiva, cerca de 2.5 km, ate encontrar a EN 225. Agora vire á esquerda, rumando a Castro Daire, que dista cerce de 15 km deste ponto. Aproveite para apreciar o rio Paiva, que o acompanhará até ao destino. Mas o Paiva, isso é outro percurso!